quinta-feira, 17 de junho de 2021

Elias Santana - ortografia, emprego do hífen, emprego dos porquês e grafia de palavras e expressões

 PROBLEMAS

ORTOGRÁFICOS



TERMINAÇÕES




1. Terminações -ez (-eza), -ês (-esa)




Observe os exemplos:




Grupo 1 Grupo 2


gentil ........ gentileza campo.......camponês, camponesa


belo .......... beleza barão........ baronesa


mole ......... moleza burgo ........burguês, burguesa


fluido ........ fluidez Pequim......pequinês, pequinesa


insensato .. insensatez Portugal.....português, portuguesa




No Grupo 1, a palavra primitiva é adjetivo, e a derivada, substantivo.


No Grupo 2, a palavra primitiva é substantivo, e a derivada, adjetivo.


Portanto, usa-se -ez(-eza), quando a palavra deriva de um adjetivo, e -ês(-esa), quando a palavra deriva de um substantivo.




2. Terminação -oso(s), -osa(s)


Essa terminação (sufixo) forma muitas palavras adjetivas na Língua Portuguesa. É desnecessário dizer que ela será sempre com “s”: bondoso(s), bondosa(s); gasoso(s), gasosa(s); bilioso(s), biliosa(s); maravilhoso(s), maravilhosa(s).


O substantivo gozo(s) e todas as formas do verbo gozar (eu gozo, tu gozas, ele goza etc.) são com z, mas constitui regra e não exceção, porque essas palavras não têm sufixos, isto é, não são derivadas de outra menor, mas primitivas.




3. Teminações -izar, -(is)ar


Com a terminação izar (sufixo com z), formam-se muitos verbos na Língua Portuguesa:


canal ......... canalizar


bárbaro ..... barbarizar


nacional .... nacionalizar


estilo ......... estilizar


humano ..... humanizar




Observe-se que, realmente, acrescentamos -izar, retirando, quando muito, uma letra da palavra primitiva.


Há alguns verbos que, aparentemente, apresentam a terminação -isar (com “s”):


análise ...... analisar


paralisia .... paralisar


pesquisa .... pesquisar


friso ............ frisar




Observe-se que, nestes exemplos, acrescentamos apenas -ar, pois is já estava na palavra primitiva, o que significa não há sufixo representado por -isar, e sim o acréscimo da terminação verbal -ar da 1ª conjugação. O verdadeiro sufixo é -izar.

Exceções: catequese - catequizar / síntese - sintetizar / hipnose - hipnotizar / batismo - batizar / ênfase - enfatizar (lembre-se da sigla de um famoso banco, só que com E no final: HSBCE)




- IZAR - quando a palavra primitiva não oferece IS.


- ISAR - quando a palavra primitiva oferece IS.




Nota: A conjugação desses verbos, bem como as palavras que se formam a partir deles, evidentemente, mantêm o z ou o s, conforme o caso:


canalizar - canalização, canalizado, canalizamos etc;


paralisar - paralisação, paralisado, paralisaremos, paralisando etc.




4. Terminação -inho


Esse sufixo liga-se ao radical por duas maneiras:


diretamente, eliminando, quando muito, uma vogal da palavra primitiva:




curral + inho = curralinho, dent(e) + inho = dentinho, nariz + inho = narizinho, barc(o) + inho = barquinho, cant(o) + inho = cantinho, lag(o) + inho = laguinho.




As consoantes finais do radical l, z, t, c, (transformada em qu) e g (transformada em gu)] permitem que esta ligação direta aconteça.


Isso igualmente acontece, quando a consoante final da palavra primitiva, tomada no singular, for o “s”. Por isso, temos:




país + inho = paisinho, mes(a) + inha = mesinha, pes(o) + inho = pesinho, Luís(a) + inha = Luisinha.




Nestes exemplos, seria tão absurdo substituir o s por outra letra (z), como seria absurdo substituir as consoantes dos exemplos anteriores.




Entretanto, se o radical não oferecer uma consoante que permita essa ligação espontânea, natural, será preciso recorrer a uma, que se acrescenta; e essa consoante deverá ser o z, e apenas o z:




pai + z + inho = paizinho, mãe + z + inha = mãezinha, guri + z + inho = gurizinho, árvore + z + inha = arvorezinha.




- (S) INHO- quando o radical oferecer S.


- ZINHO- quando o radical não oferecer S ou outra consoante.




Observação: As palavras formadas com sufixos como -ito, -al, -ão, arão, -arrão obedecem à mesma norma ortográfica:




piá + z + ito = piazito, pai + z + ão = paizão, capim + z + al = capinzal, homem + z + arrão = homenzarrão; lápis + ito = lapisito, Luís + ão = Luisão, cas(a) + arão = casarão.




5. Terminações -gem e -gio:


Eis terminações que geralmente se grafam com g: garagem, a viagem, fuligem, ferrugem, vertigem, origem, linguagem, passagem, reportagem, imagem, paisagem, massagem, mensagem, contagem, coragem, pastagem, carruagem. São exceções à regra: pajem, lajem e lambujem.

Mesma regra para as terminações -gio: estágio, pedágio, contágio, plágio, naufrágio, régio, egrégio, colégio, privilégio, sortilégio, sacrilégio, prodígio, litígio, vestígio, necrológio, relógio, refúgio, subterfúgio.


Todavia, os verbos em -ajar, -ijar e -ujar (viajar, alijar, enferrujar etc.) mantêm, na conjugação, o j. Por isso, temos: que eles viajem, que eles alijem, que eles enferrujem etc.




Nota: As pessoas mais desavisadas têm certa dificuldade em distinguir, na frase, o substantivo viagem (com g) do verbo viajem (com j). A elas basta que se diga que o substantivo admite o plural viagens e que o verbo pode mudar para qualquer outra pessoa (viaje, viajemos etc.);


Que viajem! Na próxima vez, viajem vocês.


(Que viagens! Na próxima vez, viaje você.)




6. Terminações -ear, -iar


Muitos são os verbos terminados em -ear e -iar. Eis alguns:




campear passear financiar


veranear acarear aviar


estrear negociar amaciar


recear acariciar copiar




Como evitar trocas entre e e i na hora de empregar essas formas infinitivas?




Conjugando o verbo na primeira pessoa do presente do indicativo: se esta terminar em -eio, o infinitivo será com -ear; se terminar em -io, o infinitivo será com –iar:




eu campeio


eu passeio


eu financio


eu veraneio


eu acareio


eu avio


eu estréio


eu negocio


eu amacio


eu receio


eu acaricio


eu copio




Observação:


Apenas seis verbos fazem “eu -eio”, apresentando, contudo, o infinitivo com -iar. São os da “Regra do MÁRIO”: mediar, ansiar, remediar, intermediar, incendiar e odiar. Só existe um verbo terminado em -eiar: veiar (formar riscas ou estrias).




7. Terminações -(e)eiro -(e)eira, -(i)eiro, -(i)eira




Às vezes, surgem dúvidas entre o emprego de e ou i antes das terminações -eiro, -eira. A dúvida desaparece, se atentarmos para a origem da palavra formada com essas terminações, pois a letra da dúvida (e ou i) será a mesma que estiver na palavra primitiva:




cume .......


cumeeira


estância ....


estancieiro


lume ........


lumeeiro


espécie .....


especieiro


candeia......


candeeiro


frio ...........


frieira


areia ..........


areeiro








8. Terminações -am, -ão


Nas formas verbais, a terminação será -am (e não -ão), se a sílaba tônica for a penúltima (paroxítona): captaram, fizeram, comeram, realizaram. Se a sílaba tônica for a última (oxítona), a terminação será -ão: cantarão, venderão, farão, comerão. A primeira terminação é usada no pretérito perfeito ou no pretérito mais-que-perfeito, a segunda é usada no futuro do presente.



LETRAS


1. X


Jamais use ch em vez de x, se houver ditongo antes:


caixa, faixa, peixe, ameixa, frouxo, baixo, eixo, feixe, frouxo, baixela, paixão, rebaixar.




Em geral, depois de me e mi iniciais:


mexer, mexerica, México, mexilhão, mixaria.


Exceção: a mecha.




Em geral, depois de en.


enxame, enxoval, enxada, enxugar, enxaguar, enxergar, enxaqueca, enxurrada, enxofre, enxerido, enxuto.



Observação:


Se a palavra derivar de uma que tem ch, este se mantém. Trata-se de regra, e não de exceção, como querem alguns:


encher, enchente, enchimento, preencher (cheio), encharcar (charco), enchumaçar (chumaço)




2. Correlação nd x ns / pel x puls / rt x rs / corr x curs


Escreva ns, rt, rg, puls ou curs, se houver outra da família com nd, pel, rt ou corr:


compreensão (compreender), extensão (estender), pretensão (pretender), ascensão (ascender), ofensa (ofender), defesa (defender), apreensão (apreender), repreensão (repreender), suspensão (suspender), distensão (distender), tensão (tender)

impelir (impulsão), expelir (expulsão), repelir (repulsão), compelir (compulsório)

inverter (inversão), verter (versão), converter (conversão), reverter (reversão), divertir (diversão), perverter (perversão), subverter (subversão), imergir (imersão), aspergir (aspersão), emergir (emersão), submergir (submersão)

correr (curso), concorrer (concurso), discorrer (discurso), recorrer (recurso), percorrer (percurso)

Atenção se escreve com ç porque é derivado de ater-se, e não de atender. O ato de atender é atendimento.



3. Correlação c x z


Na dúvida entre z ou s em certos vocábulos, basta ver se há uma família que se escreve com c:


atroz (atrocidade), falaz (falácia), vizinho (vicinal).

Vocabulário: falaz = enganador




4. Correlação to, tor e tivo x ç, -r + ç, ar x ç


Outra correlação entre palavras da mesma família que soluciona muitas dúvidas:


exceção (exceto), torcer, torção (torto), isenção (isento), conjunção (conjunto), intenção (intento), erudição (erudito), junção (junto), extinção (extinto)

redação (redator), condução (condutor), eleição (eleitor), instrução (instrutor), trator (tração), seção (setor).

relação (relativo), intuição (intuitivo), ação (ativo), introspecção (introspectivo).

preparar (preparação), combinar (combinação), significar (significação), abreviar (abreviação), predicar (predicação)

investigar (investigação), marcar (marcação), exclamar (exclamação), fundar (fundação), tentar (tentação), nadar (natação), aceitar (aceitação), experimentar (experimentação), revelar (revelação), exportar (exportação).


E também os substantivos derivados de verbos terminados em uzir:

reduzir (redução), produzir (produção), conduzir (condução), seduzir (sedução), traduzir (tradução), deduzir (dedução), induzir (indução), reproduzir (reprodução), introduzir (introdução).





5. Correlações ced x cess, prim x press, gred x gress, tir x ssão




concessão (conceder), cessão (ceder), sucessão (suceder), processo (proceder), retrocesso (retroceder), acesso (aceder), excesso (exceder), agressão (agredir), progressão (progredir), transgressão (transgredir), regressão (regredir), opressão (oprimir), impressão (imprimir), reprimir (repressão), deprimir (depressão), suprimir (supressão), exprimir (expressão), discussão (discutir), repercussão (repercutir), eletrocussão (eletrocutir), admitir (admissão), demitir (demissão), permitir (permissão), transmitir (transmissão), emitir (emissão), omitir (omissão)

Vocabulário: eletrocutir = eletrocutar




6. “H” mudo no meio só na bahia dos baianos




desonesto, desonra, desarmonia, desumidificar, inábil, reabilitar, reidratar, reaver, subumano, exaurir, lobisomem, biebdomadário, carboidrato.




7. K, W, Y


São usadas apenas em palavras estrangeiras (show, marketing) abreviaturas (W.C. - “water-closet”), símbolos (kg - quilograma) e nomes próprios (Kant, Byron) ou palavras derivadas deles (kantismo, byroniano).




8. S e NÃO Z


Depois de ditongo, usa-se sempre s. Somente nomes próprios aceitam dupla grafia:


lousa, maisena, Sousa (Souza), náusea, Neusa (Neuza), causa, ausência, pausa, aplauso, faisão, Luís (Luiz), Luísa (Luíza), Inês (Inez), Eliseu (Elizeu), Teresa (Teresa, Theresa ou Thereza), Isabel (Izabel), Tomás (Tomáz ou Thomas), Baltasar (Baltazar), Queirós (Queiroz).




Se a palavra não for oxítona, jamais use z no fim, exceto em nomes próprios:


ourives, lápis, ônibus, grátis, pires, tênis, Álvares, Ramires, Rodrigues.


Com uma exceção:


A terminação triz é sempre com z:


cicatriz, aprendiz, imperatriz, geratriz, embaixatriz, Beatriz, diretriz




III - PALAVRAS E EXPRESSÕES



JEITO é com “j”, porque não tem outro jeito. E assim seus derivados: jeitoso, ajeitar, desajeitado, conjectura, dejeto, dejetar, ejetar, injeção, injetar, interjeição, interjetivo, objeção, objetivo, objeto, projeção, projetar, projeto, projétil, projetor, rejeitar, rejeição, sujeito, subjetivo, trajeto, trajetória




REIvindicar - REI, depois “vindicar”, assim como reivindicação, reivindicado, reivindicante, reivindicador, reivindicável, reivindicativo, reivindicatório etc. Não existe 'revindicar'.

Nada tem a ver com o prefixo RE de reinvenção, reintegração. Se reinventar é inventar novamente e reintegrar é integrar de novo, reinvindicar, se existisse, deveria ser 'invindicar de novo'.




3. Se laranja é com j, laranjeira também será. Se cume é com e, cumeeira manterá o e. Se candeia tem e depois do d, candeeiro manterá o e. E, assim, a grafia correta de muitas palavras depende apenas de observação inteligente.




4. A FIM DE (QUE) - Se há DE ou QUE separado, separe o A. AFIM (junto) significa afinidade e, geralmente, é usado no plural, no singular só é usado na matemática, na expressão função afim:


Nós temos idéias afins.




5. QUIS (com S) e FIZ (com Z). Por quê? Ligue-se no infinito, no nome do verbo. Se este contiver Z, está na cara que ele não deve ser trocado por S na conjugação. Se o infinitivo não contiver Z, então, na conjunção, devemos usar S. Quiz existe, mas significa jogo de perguntas e respostas, questionário, programa de TV que segue esse formato:



FAZER (com Z) - fiz, fizemos, fizesse etc.

DIZER (com Z) - diz, dizemos, dizia etc.

APRAZER (com Z) - apraz, aprazia etc.

TRAZER (com Z) - traz, trazia, trazem.

Mas:

QUERER (sem Z) - quis, quiseste, quisera etc.

PÔR (sem Z, e derivados) - pus, pôs, repusemos, compusera etc.

USAR (sem Z) - usou, usara, usasse etc.




6. EXPECTATIVA (com X), que significa espera.

ESPECTADOR, o que assiste a um espetáculo, é que é com S, daí derivam espetacular e telespectador.




7. Os verbos terminados em uir mantêm o i na 3ª pessoa do singular:


possui, constitui, inclui, contribui, atribui, retribui, evolui, substitui, instrui. Construir, destruir e reconstruir são exceções (constrói, destrói e reconstrói).




8. PRIVILÉGIO (com i) vem de PRIVADO (com i), os derivados também serão com i: privilegiar, privilegiado, desprivilegiar, desprivilegiado.




9. CONSCIÊNCIA todo mundo sabe que é com sc; logo, os derivados serão com sc:




consciente, conscientizar, inconsciente, subconsciente, conscientização etc.




10. ATRASADO, segundo o Prof. Édison de Oliveira, é quem escreve atrasado com z.




11. EXCESSO - Não confundir com exceção. Excesso é o resultado do ato de exceder (o que excede o normal, exagero ou descomedimento, abuso ou violência, cúmulo) e exceção é o ato de excluir (condição privilegiada, desvio dos padrões convencionais ou de uma regra e generalização, defesa indireta do réu)




12. A PAR x AO PAR - A expressão de uso comum é a par. Ao par usa-se no mundo financeiro para indicar equivalência de moedas e títulos. A par de (=ao lado de) é sinônimo de de par com:




A par da (ou De par com a) beleza, devemos ressaltar sua inteligência.




13. AFORA


Andava pelo mundo afora.


Afora o líder, todos riram.




Existem de fora, por fora, em fora; mas não existe à fora. É, pois, erro grosseiro escrever: “Andava pelo mundo à fora”.




14. TAMPOUCO x TÃO POUCO - Tampouco significa nem:


Não fuma, tampouco bebe.




Tão pouco traz a idéia de muito pouco:


Ele estuda tão pouco, que não passará no concurso.




15. TÃO-SÓ e TÃO-SOMENTE - São expressões que tão-somente servem para reforçar somente. Empregam-se com hífen.




16. ACERCA DE x HÁ CERCA DE x A CERCA DE - As três expressões são usadas: a primeira significa a respeito de (Só falava acerca de suas aventuras); a segunda indica tempo transcorrido, em que há é igual a faz (Há cerca de dez anos, estávamos no início desta obra); a terceira indica um tempo futuro (Daqui a cerca de três meses iniciaremos a obra).




17. IR AO ENCONTRO DA NAMORADA ou IR DE ENCONTRO À NAMORADA?


É muito melhor ir ao encontro da namorada (na direção, a favor). Ir de encontro a significa ir contra, em sentido contrário:


O automóvel foi de encontro ao barranco.


Minha opinião vai de encontro à sua.




18. AO INVÉS DE x EM VEZ DE - Aproximam-se no significado, mas não são exatamente iguais. Ao invés de traz a idéia de ao contrário de:


Quando ouviu a piada, ao invés de rir, chorou.


Em vez de significa em lugar de:


Em vez de trabalhar, foi ao cinema.




19. PORVENTURA Significa por acaso. Por ventura existe, mas significa por sorte.




20. EMPECILHO (com e e lh) - Não vem de impedir, e sim de empecer, que significa estorvar, criar obstáculos.



IV - EMPREGO DO HÍFEN


1 - Certos prefixos, às vezes, exigem hífen.


Examinemos este quadro:






Palavra iniciada por:


PREFIXOS


VOGAL


h


r


s


a) pseudo, auto, neo, infra, supra, extra, proto, intra, contra, ultra, semi




SIM




SIM




SIM




SIM


b) circum, pan, mal


SIM


SIM


NÃO


NÃO


c) ante, anti, arqui, sobre


NÃO


SIM


SIM


SIM


d) super, inter, hiper


NÃO


SIM


SIM


NÃO


e) sub (também se separa antes de b.)


NÃO


NÃO


SIM


NÃO




Exemplos:


a) pseudo-homem, auto-retrato, neo-sectário, infra-assinado, supra-renal, extra-oficial, (“extraordinário” é uma exceção consagrada pelo uso), proto-história, intra-uterino, contra-revolucionário, ultra-som, semi-reta, semi-índio;


b) circum-adjacente, circum-hospitalar, pan-americano, pan-helenismo, mal-estar, mal-humorado; mas: circunsessão, circunrodar, pansexual, panruralismo, malroupido, malsão;


c) ante-histórico, ante-sala, ante-republicano, arqui-rabino, arqui-secular, sobre-humano, sobre-restar; mas: anteontem, antimperialista, arquiavô, sobreaviso, sobreminência.


d) super-homem, super-resistente, inter-humano, inter-radical: mas: superativo, superinfluente, superunião, interurbano, interagir, intersindical.


e) sub-reitor, sub-ramo, sub-base, sub-biblioteca; mas: subalimentado, subalugar, suboficial, subumano, subsolo, subseção.




Observação:


Atente-se bem para o fato de que todos esses prefixos se unirão à palavra radical, se esta não começar por vogal, h, r, ou s (HORAS - o e a representam as vogais).




Sem HORAS, não haverá hífen.




Neoclássico, autodidata, internacional, pseudoprogresso, superbase, infravermelho, circumpolar, malcriado, supermercado, subchefe, subdiretor, antebraço, anticristo.




2 - Sempre exigirão hífen:




a) prefixos tônicos, com acento: além, aquém, recém, pré, pró, pós, grã, grão: além-túmulo, além-mar, aquém-fronteira, pró-creches, pós-guerra, grão-mestre, grã-finagem. Se átonos, não haverá hífen: posposição, predefinido, progredir. 




b) soto, sota, vice: soto-mestre, sota-piloto, vice-governador, vice-presidente, vice-prefeito, vice-campeão, vice-reitor, vice-diretor, vizo-rei.



c) bem, sem: bem-humorado, sem-vergonha, bem-amado, bem-estar, sem-cerimônia (informalidade, grosseria), sem-teto, sem-fim (infinidade), sem-número (imensidão), sem-terra. Exceção: sensabor.




d) ex, significando estado anterior, que já foi: ex-colega, ex-presidente, ex-empregado, ex-diretor, ex-funcionário, ex-esposa, ex-namorado, ex-marido, ex-ministro, ex-juiz.

Atenção: excursão (ex = movimento para fora - sem hífen) / extraordinário (prefixo extra)




e) não e quase, quando empregado como prefixo: não-agressão, não-alinhado, não-violência, não-participação, não-fumante, quase-posse, quase-domicílio, quase-delito, quase-irmão.




3 - Nunca exigirão hífen outros elementos de composição que não têm vida própria na língua, tais como: micro, macro, termo, bi, tri, tetra, penta, hexa, hepta, aero, angi, bio, cis, ego, eletro, fisio, hemi, hidro, mono, multi, mini, maxi, neuro, oni, psico, quadri, radio, retro, sesqui, tele, termo, turbo, zoo: microônibus, macroatacado, termodinâmica, bicampeão, aeroespacial, anfiteatro, bioexaustor, cisplatino, egocentrista, eletromagnético, fisioterapia, retropropulsor, telejornalismo, turboélice, zoobotânica.




Observação: Quando os elementos que não exigem hífen se ligam a palavras iniciadas por h, r, e s poderá ser necessário fazer adaptação ortográfica:


sub + humano = subumano (não há “h” mudo no meio),


turbo + hélice = turboélice,


mini + série = minissérie; tele + sala = telessala (sem ss teríamos de ler 'minizérie' e 'telezala')


radio + repórter = radiorrepórter (sem rr teríamos de ler 'radiorepórter')



V - POR QUE - POR QUÊ - PORQUE - PORQUÊ(s)


Não se trata, como dizem por aí, da mesma palavra com grafias diferentes; trata-se, na verdade, de palavras de categorias diferentes, cujo emprego depende da frase em que se inserem.


Vejamos cada caso:




POR QUE




Funciona como advérbio interrogativo, nas frases interrogativas diretas ou indiretas:


Por que discordas de mim? (interrogativa direta)


Gostaria de saber por que discordas de mim. (interrogativa indireta)


Por que há tanta celeuma? (interrogativa direta)


Dize-me por que há tanta celeuma. (interrogativa indireta)




Pode ser, ainda, a preposição por e o pronome relativo que. Ora, se pode ser pronome precedido de preposição, à semelhança de a que, de que, em que etc., está errado quem diz que se usa por que somente nas perguntas:


A causa por que lutamos vencerá.


Os caminhos por que andamos são tortuosos.




Comprova-se, na prática, o uso de por que (preposição e pronome separados), substituindo-os pela expressão PELO QUAL (PELOS QUAIS, PELA QUAL, PELAS QUAIS):




A causa pela qual lutamos vencerá.


Os caminhos pelos quais andamos são tortuosos.




Embora não seja necessário, porque as frases interrogativas são fáceis de reconhecer, artifício semelhante pode ser aplicado ao advérbio interrogativo:




Por qual razão há tanta celeuma?


Dize-me a razão pela qual há tanta celeuma.




Resumindo, usa-se por que, sempre que for possível substituí-lo por uma expressão onde apareça QUAL ou QUAIS.




POR QUÊ




Só pode ser advérbio interrogativo:


Vieste tão tarde, por quê ?


Podes sair, mas quero saber por quê.


Por quê, afinal ?




O acento se justifica pelo fato de o quê haver adquirido tonicidade, o que acontece quando for insulado ou está em final de frase. Pelos exemplos, observa-se que é muito freqüente nos diálogos das narrativas.




Seu reconhecimento, na prática, faz-se pelo mesmo artifício do anterior. Receberá o acento, se bater num sinal de pontuação.




PORQUE




É sempre conjunção. Em geral, é substituível por POIS e nunca é substituível por uma expressão em que aparece QUAL ou QUAIS:


Trabalha, porque o trabalho enobrece.


Há pessoas que não se abatem, porque possuem muita força de vontade.




Na prática, se não for substituível por POIS, reconhece-se pela exclusão de POR QUE e POR QUÊ:


Neste capítulo, há muitos porquês, mas é porque ele versa sobre eles e não porque o autor seja maníaco




PORQUÊ(S)


Trata-se de uma substantivação. Como ocorre com os substantivos em geral, admite ser pluralizado, ao contrário dos casos anteriores em que temos palavras invariáveis. Vem precedido de um artigo ou outro determinante, como pronome, numeral ou adjetivo:


Não é fácil compreender o porquê desse comportamento.


Eram muitos porquês, que começamos a duvidar.




Se o pomos ou podemos pô-lo no plural, usemos PORQUÊS ou PORQUÊ.




VI - QUE, QUÊ(S)

O “que” é a palavra que mais funções pode exercer na frase (pronome, preposição, conjunção, advérbio, partícula expletiva etc.). Isso, entretanto, não nos interessa analisar aqui. Para os objetivos deste capítulo, basta que saibamos os raros casos nos quais deve ser acentuado por adquirir tonicidade.


Esses casos, podemos reduzi-los a dois:








1)quando encerra a frase ou for exclamativo (expressa espanto, admiração, surpresa), circunstâncias em que virá necessariamente seguido de um sinal forte de pontuação:




Disseste o quê?

Quê! Não acredito.




2) quando for substantivado, caso em que admite ser pluralizado:


Tinha um quê estranho no olhar.

(Tinha uns quês estranhos no olhar.)

Fora esses casos, o que não é acentuado.

Elias Santana - fonética: divisão silábica, letras e fonemas, encontros vocálicos e consonantais

 FONÉTICA


É a parte da gramática que estuda os sons da fala humana, ou seja, os fonemas.




1. Fonemas


Fonemas são sons da fala humana que, sós ou combinados, formam as sílabas que, por sua vez, formam as palavras.




2. Fonemas e Sílabas - Diferença


Não há que confundir fonema e sílaba, coisas bem diferentes. Uma sílaba pode conter um (a-go-ra), dois (a-go-ra), três (es-tre-la), quatro (cris-tão) e até cinco (felds-pa-to) fonemas.




3. Letras


Letras são as representações gráficas (símbolos convencionados) dos fonemas.



4. Fonema e Letra - Diferença


Fonema pronuncia-se e ouve-se; letra escreve-se e vê-se. Fonema é som, letra é representação do som.


Uma palavra pode ter igual número de fonemas e letras:




cabelo - 6 letras e 6 fonemas.




O número de letras pode ser maior do que o número de fonemas:




hoje - 4 letras e 3 fonemas, pois o “h” não é pronunciado, é letra meramente histórica;




guerra - 6 letras e 4 fonemas, pois os dígrafos “gu” e “rr” representam apenas um fonema cada um;




tanto - 5 letras e 4 fonemas, pois o “n” apenas faz com que o “a” seja nasalizado.




Há, ainda, palavras que possuem mais fonemas do que letras:




tóxico - 6 letras e 7 fonemas, pois o “x” equivale a /cs/.




Por outro lado, um mesmo fonema pode ser representado por letras diferentes, como podem, também, fonemas diferentes ser representados por uma mesma letra:




mesa, beleza - as letras s e z representam o mesmo fonema /z/;




expectativa (x = /s/), exame (x = /z/), táxi (x = /cs/), próximo (x = /ss/), caixa (x = /ch/) - em cada uma o “x” representa fonemas diferentes.




Por aí se vê que não há, rigorosamente, um símbolo gráfico (letra) para cada fonema de nossa língua. Essa discrepância entre fonemas e letras é a responsável pela maior parte das dificuldades ortográficas que enfrentamos.




5. Nome da letra


Não se confunda o nome da letra com o fonema respectivo. Assim, ele, eme, erre, cê são os nomes das letras l, m, r, c.


Os fonemas são os sons que a leitura dessas letras produz na palavra.










6. Classificação dos Fonemas




a) VOGAIS


Não são simplesmente as letras a, e, i, o, u. Em quilo, a letra u nem é fonema.


A vogal é fonema básico de toda sílaba. Não há sílaba sem vogal e não pode haver mais de uma vogal numa sílaba. Por outra, o número de vogais de um vocábulo é igual ao número de sílabas; inversamente, o número de sílabas é igual ao número de vogais.




b) CONSOANTES


Como o próprio nome sugere, consoantes são os fonemas que, para serem emitidos, necessitam do amparo de outros fonemas, ou seja, das vogais.




Cabe relembrar que, para haver consoante, é necessário o fonema (ruído) e não a letra (escrita). Assim, em “hipótese”, não há a consoante “h”, mas apenas essa letra; em “ilha”, a consoante única é o fonema representado pelas letras “lh”; em “manga”, o “n” não é consoante, porque não constitui fonema, mas apenas indica a nasalização do “a”.




c) SEMIVOGAIS


Constituem os fonemas intermediários entre as vogais e as consoantes: não têm a fraqueza destas nem a autonomia daquelas. São, na prática, o “i” e o “u”, quando, ao lado de uma vogal autêntica, soam levemente, sem a força de vogal. O “e” e o “o”, sempre que, na mesma circunstância, forem pronunciados, respectivamente, como “i” e “u”, também serão semivogais.


Comparem-se as diferenças de intensidades dos fonemas grifados, nas palavras que seguem:




Semivogais


Vogais


Pais


país


Mau


baú


Mágoa


pessoa


Vídeo


Leo


Mário


Maria






Observações:


1ª) O a é sempre vogal, aberto ou fechado, oral ou nasal.


2ª) Qualquer uma das letras a, e, i, o, u, isolada ou entre duas consoantes, será vogal.


3ª) O fonema que receber o acento tônico será obviamente vogal.


4ª) Pode haver duas vogais juntas, mas jamais se juntarão duas semivogais.




7. Grupos ou Encontros Vocálicos


Chamam-se assim os grupos ou encontros constituídos de dois ou mais fonemas vocálicos (vogais e semivogais).




a) DITONGO


É o grupo constituído de uma vogal e uma semivogal ou vice-versa.


O ditongo pode ser:


crescente - quando a semivogal vem antes: série, água, vítreo, nódoa, quando, freqüente;


decrescente - quando a semivogal vem depois: leite, baixo, céu, herói, mão, mãe, põe, muito.


Qualquer ditongo ainda pode ser:


oral - quando emitido sem a participação das fossas nasais: série, água, vítreo, nódoa, quase, leite, baixo, céu;


nasal - quando há participação das fossas nasais: quando, freqüente, põe, muito, esperam, vem, comunhão.










Na prática, os ditongo nasais são:


1 - os que levam o til: sabão, anões, mãe, cãibra;


2 - os que vêm seguidos de “m” ou “n” na mesma sílaba: quando, guampa;


3 - o “ui” de mui e muito;


4 - os grupos “em”, “en”, “ens” e “am” no final de vocábulos: também, éden, edens, armam.






b) HIATO




É o encontro de duas vogais: pessoa, guria, saúde, saída, coordenar.




Observação:


Todas as vogais repetidas constituem hiatos e, por isso, devem ser pronunciadas separadamente: crêem, caatinga, vôo, niilismo, reencontro.




c) TRITONGO


É o grupo formado por uma vogal entre duas semivogais: quais, saguão, Uruguai.




Observação:


Uma vogal ladeada por semivogais é o único jeito possível de haver tritongo. Acautele-se, pois, o leitor contra a falsa impressão de tritongo que podem dar palavras como “raio”, “tamoio”, “veraneio”, “bóia”, “idéia”. Observe-se que não há tritongo pelo simples fato de que é uma semivogal que está entre duas vogais. Tem sido norma gramatical separar as sílabas dessas palavras assim: rai-o, ta-moi-o, ve-ra-nei-o, bói-a, i-déi-a, formando, portanto, ditongos decrescentes.




Os tritongos podem ser:


orais - quando emitidos sem a participação das fossas nasais: Paraguai, desiguais;


nasais - quando emitidos com a participação das fossas nasais: saguão, enxáguam, ágüem.




8. Encontros Consonantais


São as seqüências de duas ou mais consoantes: vidro, digno, escrita. Podem ser perfeitos (na mesma sílaba), como em Brasil e claro, imperfeitos (em sílabas diferentes), como em magnético e objetivo ou mistos (que misturam os dois modos descritos), como em destreza, filtração e displicência




Observação:


Os encontros consonantais disjuntos (separados silabicamente), como os de “advogados”, “ritmo”, “opção”, “digno”, por serem de difícil elocução, têm proporcionado verdadeiras aberrações fonéticas e até ortográficas. É comum ouvirmos e às vezes até vemos tais palavras escritas assim: “adevogados”, “rítimo”, “opição”, “diguino”. Note-se que, assim, são acrescidas de um fonema e uma sílaba.




9. Dígrafos


São os grupos de duas letras representando um fonema apenas. Não confundamos dígrafo (2 letras = 1 fonema) com encontro consonantal (cada letra = 1 fonema).




Estes são os dígrafos:


ch, lh, nh ¾ cheio, filho, ninho;


gu, qu, (com o u mudo) ¾ guindaste, querido, requinte, segue;


rr, ss ¾ terra, morro, isso, passa;


sc, xc (antes de e e de i) ¾ piscina, exceto;


sç ¾ nasça, desça;


am, an, em, en, in, im, om, on, um, un, desde que não sejam ditongos nasais (ver ditongo nasal) ou façam parte de tritongo nasal (ver tritongo nasal) ¾ também, canto, sempre, entre, ímpio, pintura, combate, onda, álbum, funda. Em outras palavras: as vogais seguidas de m ou n na mesma sílaba, uma vez que estes, nesse caso, são meros índices de nasalização.




SEPARAÇÃO SILÁBICA




1 - A divisão de sílabas se processa pela soletração das palavras, jamais pelos seus elementos formadores segundo sua etimologia. Sabemos, por exemplo, que bisavô se forma de bis + avô, mas, na silabação, teremos bi-sa-vô, sendo esta a separação correta.




2 - Toda consoante precedida de vogal forma sílaba com a vogal seguinte:


janela ............... ja-ne-la


ético ................ é-ti-co


desumano ....... de-su-ma-no


subumano ....... su-bu-ma-no


subabitação ..... su-ba-bi-ta-ção


superativo ........ su-pe-ra-ti-vo


hiperácido ........ hi-pe-rá-ci-do




Observação:


Como vimos nos dígrafos, as letras m e n muitas vezes são índices de nasalização da vogal anterior. Para efeitos fônicos, é como se fossem til: transandino, consorte, sentido, bomba, campo, lindo. Por isso, justificam-se por essa mesma regra as separações: tran-san-di-no, tran-sa-ma-zô-ni-co, con-sor-te, sen-ti-do, bom-ba, cam-po, lin-do.




3 - O que se pode e o que não se pode separar:




Não se separam:


os ditongos e os tritongos: lei, fai-xa, a-zei-te, fé-rias, lé-gua, nó-doa, cha-péu, ji-bói-a, mai-o, a-ve-ri-güei, quais, pa-ra-guai-a;


os dígrafos do “h” e do “u”: cha-ve, fi-lho, ne-nhum, a-qui-lo, se-gue, se-quer;


c) os encontros consonantais no início de palavras: gno-mo, mne-mô-ni-co, pneu-má-ti-co, psi-có-lo-go;


em geral, os grupos consonantais em que a segunda letra é “l” ou “r”: a-tle-ta, o-blí-quo, a-tri-to, sa-cro, le-tra, a-dro.




Separam-se:


a) os hiatos: vô-o, ga-ú-cho, fi-lo-so-fi-a, ca-no-a, a-í, Le-o;


b) os dígrafos “rr”, “ss”, “sç”, “sc” e “xc”: bar-ro, os-so, des-ça, nas-ce, ex-ce-to;


c) os encontros consonantais pronunciados disjuntamente: ad-vo-ga-do, dig-no, ar-te, per-cus-são, sub-di-re-tor, sub-li-nhar (pronuncia-se como sub-lo-car);


d) as consoantes duplas: oc-ci-pi-tal, fric-ção;


e) os encontros consonantais (de mais de duas consoantes) em que aparece “s” separam-se depois do “s”: es-tre-la, des-pres-tí-gio, in-ters-tí-cio, felds-pa-to, pers-cru-tar, ins-tru-ir.




4 - É claro que, se a palavra já for separada por hífen, essa separação será respeitada, e, na passagem de uma linha para a outra (translineação), tal hífen até deve ser repetido:


..................................... ex-


-atleta ..................................


................................... disse-


-nos .....................................


.................................... obra-


-prima ..................................


.................................... auto-


-retrato ................................




5 - Na translineação, devem-se evitar separações de que resultem, no fim de uma linha ou no início da outra:


a) letras isoladas:


......................................... e-


duca................................... ....................................... ba-


ú ..........................................


b) termos grosseiros:


.....................................cus-


toso .....................................


....................................puta-tivo.......................................


................................... após-

:

tolo ......................................

sexta-feira, 11 de junho de 2021

Guia Prático da Nova Ortografia - O que mudou?

Guia Prático da Nova Ortografia

O que mudou?

Esteja atento às alterações realizadas pelo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, vigente desde 2009 (no Brasil, seu uso passou a ser obrigatório em 2016).

1 - Acento agudo

O acento agudo desapareceu em três casos:

a) Nos ditongos (encontros de duas vogais proferidas em uma só sílaba) abertos ei e oi das palavras paroxítonas (aquelas cuja sílaba pronunciada com mais intensidade é a penúltima). Exemplos:


idéia -> ideia

geléia
 -> geleia

bóia
 -> boia

jibóia
 -> jiboia

Mais exemplos: alcaloide, alcateia, apoio, assembleia, asteroide, celuloide, colmeia, Coreia, epopeia, estreia, heroico, joia, odisseia, onomatopeia, paranoia, plateia, proteico, tireoide, tipoia, androide, alcateia, moreia, panaceia, tramoia, prosopopeia, espermatozoide etc.

Atenção: essa regra é válida somente para palavras paroxítonas. Assim, continuam sendo acentuadas as palavras oxítonas terminadas em éis, éu, éus, ói, óis. Exemplos: papéis, herói, heróis, troféu, troféus, chapéu, chapéus, anéis, dói, céu, Ilhéus, fogaréu, anzóis, corrói. Exemplos:


papéis


chapéus

troféu

b) Nas palavras paroxítonas com i e u tônicos formando hiato (sequência de duas vogais que pertencem a sílabas diferentes), quando vierem após um ditongo. Veja:

baiúca-> baiuca
bocaiúva-> bocaiuva
feiúra -> feiura
cheiínho -> cheiinho
saiínha -> saiinha
Taoísmo -> Taoismo

Atenção: se a palavra for oxítona e o i ou o u estiverem em posição final (ou seguidos de s), o acento permanece. Exemplos:

teiú, tuiuiú, Piauí.

c) Nas formas verbais que possuem o u tônico precedido das letras g ou q e seguido de ou i. Esses casos ocorrem apenas nas formas verbais de arguir e redarguir (cuja conjugação segue a do verbo influir). Observe:

argúis -> arguis
argúem-> arguem
redargúis -> redarguis
redargúem -> redarguem

2 - Acento diferencial

O acento diferencial é utilizado para auxiliar na identificação de palavras homófonas (que possuem a mesma pronúncia). Com o acordo ortográfico, ele deixará de existir nos seguintes casos: pára/para, péla(s)/pela(s), pêlo(s)/pelo(s), pólo(s)/polo(s) e pêra/pera. Observe os exemplos:

Ela não pára de dançar. 

Ela não para de dançar.

A mãe péla o bebê para dar-lhe banho. 

A mãe pela o bebê para dar-lhe banho.

Este é o pólo norte. 

Este é o polo norte.

Os garotos gostam de jogar pólo

Os garotos gostam de jogar polo.

Meu gato tem pêlos brancos. 

Meu gato tem pelos brancos.

A menina trouxe pêra de lanche. 

A menina trouxe pera de lanche.

Atenção: existem cinco palavras que continuarão recebendo acento diferencial:

pôr (verbo) -> para não ser confundido com a preposição por.

pôde (verbo poder conjugado no pretérito perfeito) -> para que não seja confundido com pode(forma conjugada no presente). 

quê (interjeição, substantivo ou pronome em fim de frase) -> para que não seja confundido com o que (pronome, conjunção, preposição, advérbio ou partícula expletiva). 

porquê (substantivo) -> para que não seja confundido com o porque (conjunção explicativa, causal ou final). 

fôrma (recipiente) e forma (formato ou verbo formar): facultativo

3 - Acento circunflexo

O acento circunflexo deixará de ser utilizado nos seguintes casos:

a) Em palavras com terminação ôo. Veja:


enjôo -> enjoo


vôo -> voo


magôo -> magoo

Mais exemplos: abençoo (abençoar), coo (coar), coroo (coroar), doo (doar), moo (moer), perdoo (perdoar), povoo (povoar), entoo (entoar), voos (plural de voo), zoo (zoar).

b) Nas terminações êem, que ocorrem nas formas conjugadas da terceira pessoa do plural dos verbos ler, dar, ver, crer e seus derivados. Veja o exemplo abaixo:


Eles lêem. -> Eles leem.

Mais exemplos: creem, deem, veem, descreem, releem, reveem.

Atenção: os verbos ter e vir (e seus derivados) continuam sendo acentuados na terceira pessoa do plural.

Eles têm três filhos.
Eles detêm o poder.
Eles vêm para a festa de sábado. 
Eles intervêm na economia.

4 - Trema

O trema, sinal gráfico utilizado sobre a letra dos grupos que, qui, gue, gui, deixa de existir na língua portuguesa.

Lembre-se, no entanto, que a pronúncia das palavras continua a mesma. Exemplos:


cinqüenta-> cinquenta


pingüim -> pinguim

Mais exemplos: aguentar, bilíngue, consequência, delinquente, frequente, linguiça, sequência, sequestro, tranquilo, ambiguidade, sagui, etc.

Atenção: o acordo prevê que o trema seja mantido apenas em nomes próprios de origem estrangeira, bem como em seus derivados. Exemplos:

Bündchen, Müller, mülleriano.

5 - Alfabeto

O alfabeto passará a ter 26 letras. Além das atuais, serão incorporadas oficialmente as letras kw e y. Observe a posição das novas letras no alfabeto:

A B C D E F G H I

L M N O P Q R

S T U V W X Z

Essas letras poderão aparecer em siglas, símbolos, nomes próprios, palavras estrangeiras e seus derivados. Exemplos: km, playground, watt, Kafka, kafkiano, etc. Trata-se de uma oficialização.

6 - Hífen

O hífen deixou de ser empregado nos seguintes casos:

a) Quando o prefixo terminar em vogal diferente da vogal que iniciar o segundo elemento.

Exemplos:

Estou lendo um livro de auto-ajuda.

Estou lendo um livro de autoajuda.

Ele passou na auto-escola!

Ele passou na autoescola!

Mais exemplos: agroindustrial, autoafirmação, autoaprendizagem, autoestrada, autoimagem, autoatendimento, autoestima, autoavaliação, contraindicação, contraoferta, contraordem, extraoficial, extraescolar, infraestrutura, intraocular, intrauterino, neoexpressionista, neoimperialista, protoestrela, pseudoedema, pseudoartista, semiaberto, semialfabetizado, semiárido, semiautomático, supraocular, ultraelevado, etc.

b) Quando o prefixo da palavra terminar em vogal e o segundo elemento começar com as consoantes s ou r. Nesse caso, a consoante será duplicada. Exemplos:

Meu namorado é ultra-romântico.

Meu namorado é ultrarromântico.

Comprei um creme anti-rugas. 

Comprei um creme antirrugas.

Mais exemplos: antessala, antirreligioso, antirroubo, antirracista, antissemita, autorreflexão, autossuficiente, autossugestão, autossustentável, autorretrato, antissocial, arquirromântico, arquirrival, autorregulamentação, contrarregra, contrarrazão, contrarreforma, contrarrevolucionário, contrassenso, extrarregimento, extrasseco, infrassom, neorrealismo, ultrarresistente, ultrassensível, ultrassonografia, semirreta, suprarrenal, protossatélite, protorrevolução, pseudorrainha, pseudossábio, suprassumo, semisselvagem, semirreta, intrassetorial, intrarregional, infrarrenal, extrassensorial, neossimbolismo.

c) Não se usa mais o hífen nas palavras que, pelo uso, perderam a noção de composição. Veja:


pára-quedas -> paraquedas

Mais exemplos: mandachuva, paraquedista.

Uso do Hífen

Com o novo acordo, o hífen passou a ser utilizado quando a palavra for formada por um prefixo terminado em vogal e a palavra seguinte iniciar pela mesma vogal. Observe o exemplo abaixo:


micrnibus-> micro-ônibus

Mais exemplos: anti-ibérico, anti-inflamatório, anti-inflacionário, anti-imperialista, arqui-inimigo, arqui-irmandade, contra-ataque, contra-argumento, contra-almirante, micro-ondas, semi-interno, tele-entrega, tele-educação, eletro-ótica, ultra-aquecido, auto-observação, auto-ônibus, proto-organismo, pseudo-oferenda, supra-auricular, intra-arterial, infra-axilar, neo-ortodoxo, etc.

Atenção: se o prefixo terminar com consoante, usa-se hífen se o segundo elemento começar com a mesma consoante. Exemplos:

hiper-realismo, hiper-reativo, inter-racial, inter-relação, inter-regional, super-resistente, super-revista, super-requintado, super-romântico, etc.

Lembre-se: nos demais casos, não se usa o hífen. Exemplos:

hipermercado, hipertireoidismo, intermunicipal, intertextualidade, superinteressante, superproteção.

Dúvidas?

As dúvidas que porventura surgirem acerca da nova ortografia podem ser resolvidas por meio do novo Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), cuja elaboração compete à Academia Brasileira de Letras.







terça-feira, 8 de junho de 2021

20 erros grosseiros de português

O professor Sérgio Nogueira reuniu várias palavras que vê constantemente com erros. Alguns deles são mais frequentes, e outros que ele considera imperdoáveis.


As 32 palavras escritas erradas com mais frequência são:


1. asterístico – cuja forma certa é asterisco, pois significa “pequeno áster”, assim como o “chuvisco” é o diminutivo de chuva. Assim como não falamos chuvístico, não devemos falar asterístico.

2. beneficiente – a forma correta é “beneficente”, pois a palavra não deriva de “eficiência”, e sim de “fazer o bem”.

3. desinteria – o correto é “disenteria”. O prefixo “dis” significa “mau funcionamento”, e “entero” significa intestino. Não deve ser confundido com o prefixo 'des', que significa 'negação' ou 'ausência'.

4. impecilho – o certo é "empecilho". Não vem do verbo “impedir”, e sim do arcaico “empecer”, que é “criar obstáculo”.

5. freiada – não se deve colocar o “i”, apesar da palavra pertencer à família da palavra “freio”.

6. meretíssimo – vem de mérito, então o correto é “meritíssimo”, que é derivada de mérito.

7. reinvindicação – o correto é “reivindicação”. Se reinventar significa inventar de novo e reintegrar, integrar de novo, reinvindicar seria 'invindicar' novamente.

8. paralização – deve-se usar S em vez de Z, assim como nas palavras “paralisar”, “analisar”, 'pesquisar', 'revisar', 'improvisar' e 'reprisar'.

9. côco – não se deve acentuar essa palavra, e sim a oxítona “cocô”.

10. rúbrica – a escrita correta é sem o acento, pois a sílaba tônica é “bri”, e não 'rú', a palavra é paroxítona, e não proparoxítona para ser acentuada graficamente.

11. toráxico - o correto é 'torácico', apesar da palavra pertencer à família de 'tórax'

12. metereologia - o correto é 'meteorologia', porque a palavra, assim como meteorológico e meteorologista, deriva de 'meteoro', não de 'metereo'

13. losângulo - o correto é 'losango', apesar de existir uma corretora de seguros chamada Losângulo. talvez por associação com triângulo e retângulo, há quem escreva assim

14. conhecidência - o correto é 'coincidência', talvez por associação com conhecer, conhecido ou conhecimento, há quem escreva assim

15. célebro - o correto é 'cérebro', talvez por associação com celebrar, célebre ou celebridade, há quem escreva assim

16. milhonário - o correto é 'milionário', talvez por associação com milhão, há quem escreva assim

17. intrevista - o correto é 'entrevista', a troca de E por I é muito comum na fala

18. pobrema - o correto é 'problema', na fala regional é muito comum a pronúncia do R como L

19. cabelereiro - o correto é 'cabeleireiro', porque a palavra vem de 'cabeleira', e não de 'cabelo'

20. iorgute - o correto é 'iogurte'

21. sombrancelha - o correto é 'sobrancelha', porque a palavra vem de 'sobre', não de 'sombra'

22. triologia - o correto é 'trilogia', apesar de existir a palavra trio

23. trabisseiro - o correto é 'travesseiro'

24. frustado - o correto é 'frustrado', a omissão do R é muito comum

25. pertubar - o correto é 'perturbar'

26. largata - o correto é 'lagarta', a troca do R é muito comum

27. cardaço - o correto é 'cadarço'

28. imbigo - o correto é 'umbigo', apesar de existir a variante 'embigo'

29. madastra - o correto é 'madrasta'

30. ressucitar - o correto é 'ressuscitar', apesar de pertencer à família de 'ressurreição'

31. cincoenta - o correto é 'cinquenta', talvez por associação com cinco, há quem escreva no preenchimento de cheques

32. mussarela - o correto é 'muçarela', em pizzarias, restaurantes, lanchonetes, supermercados e hipermercados é comum encontrar essa grafia

33. xuxu - o correto é 'chuchu', Xuxu só se for o irmão da Xuxa

34. irriquieto - o correto é 'irrequieto', apesar de pertencer à família de 'inquieto' e 'irritado'

35. receioso / estreiar - o correto é 'receoso' e 'estrear', apesar de pertencer à família de 'receio' e 'estreia'

36. supertição - o correto é 'superstição'. Supertição só se for um Tição grande

37. inguinorante - o correto é 'ignorante', o G é mudo e não deve ser pronunciado com uma vogal entre as duas consoantes para desfazer o encontro consonantal

38. prazeirosamente - o correto é 'prazerosamente', a palavra vem de prazer, não de 'prazeir'

39. dignatário - o correto é 'dignitário', porque a palavra vem de dignidade, apesar de pertencer à família de dignar, digno e digna

40. cardeneta - o correto é 'caderneta', porque a palavra vem de caderno

41. insento - o correto é 'isento', assim como isenção

42. intinerante - o correto é 'itinerante', assim como itinerário

Os erros que o professor considera imperdoáveis são:


1. depedração – o correto é “depredação”. Quem destrói comete depredação, nada tem a ver com pedra, jogar pedras é apedrejar. a palavra vem de 'predador' e 'predação'

2. estrupo – a grafia correta é “estupro”. Estrupo e estrupada existem, mas não tem nada a ver com estupro ou estuprada. Estupro significa violência ou abuso sexual, enquanto estrupo significa tumulto ou barulho.

3. mortandela – não há N nessa palavra.

4. mendingo – também não há N em “mendigo”.

5. adevogado – não há E, muito menos I, alerta o professor.

6. seje – o correto é “seja”. Também não existem as formas esteje e veje, o correto é esteja e veja (lembre-se da revista).

7. mixto – o X está errado. A forma correta é “misto”. Mixto só se for da rádio Mix.

8. simplismente – o professor culpa a pronúncia da palavra, pois apesar de ser escrita com E, ela é falada com I por muitas pessoas, por associação com simplicidade.

9. previlégio – “as pessoas acham que estão falando bonito, associando a palavra ao prefixo pre, quando é ‘privilégio”, alerta o professor. Vem de privado, e também assim deve se escrever privilegiar, desprivilegiar e desprivilegiado.

10. derrepente – o correto é separar (“de repente”). Além disso, o professor vê o sentido ser trocado. Em vez de “repentinamente”, pessoas usam “de repente” como um sinônimo para “talvez”, como na construção “de repente ele é a favor”.

11. denovo / dinovo - o correto é separar (de novo).

12. conserteza - o correto é separar e escrever com C e com M (com certeza). Além disso, o sentido é trocado. Em vez de 'certamente', 'sem dúvida' e 'evidentemente', muitos usam como um sinônimo para 'provavelmente' ou para expressar entusiasmo.

13. porisso - o correto é separar (por isso).

14. apartir de / à partir de - o correto é separar e escrever sem crase (a partir de). Além disso, o sentido é trocado. Em vez de 'a começar de', muitos usam como um sinônimo para 'com base em'.

15. dinada - o correto é separar e escrever com E (de nada), seja como resposta a um agradecimento ou algo sem importância e insignificante

sábado, 5 de junho de 2021

Vozes verbais - dicas e exemplos

  O QUE VOCÊ PRECISA SABER...

QUEM?

As saúvas destruíram

A brisa leva

Verbos Transitivos Diretos = exigem COMPLEMENTO sem preposição.

as plantações.

V. T. D.

O. D.

O QUÊ?

QUEM?

as flores.

V. T. D.

O. D.


3  O QUE VOCÊ PRECISA SABER...

DE QUÊ?

A empresa precisa

Os pais darão

Verbos Transitivos Indiretos = exigem COMPLEMENTO com preposição.

de profissionais competentes.

V. T. I.

O. I.

O QUÊ?

A QUEM?

outra oportunidade

aos filhos.

V. T. D. I.

O. D.

O. I.


4  1. Se a ação é praticada pelo sujeito: A mãe penteou o menino.

VOZES VERBAIS: Indicam a relação entre o SUJEITO e a AÇÃO expressa pelo verbo.

1. Se a ação é praticada pelo sujeito:

A mãe penteou o menino.

2. Se a ação é sofrida pelo sujeito:

O menino foi penteado pela mãe.

3. Se o sujeito ao mesmo tempo pratica e sofre a ação.

O menino penteou-se.

VOZ ATIVA

VOZ PASSIVA

VOZ REFLEXIVA


5  VOZ PASSIVA ANALÍTICA V. P. A. = Sujeito sofre a ação verbal.

V. P. A. = locução verbal :

verbo auxiliar verbo principal

(ser, estar, ficar) (particípio – ado, ido)

V. P. A. = só podem ser apassivados verbos:

transitivos diretos ou transitivos diretos e indiretos, nunca verbos transitivos indiretos, intransitivos e de ligação.

* É comum aparecer AGENTE DA PASSIVA na V. P. A.


6  Agente da Passiva Termo que pratica ação na Voz Passiva Analítica.

Estrutura:

Por (preposição) + Substantivo

Os reféns foram libertados pelos sequestradores.

A carta foi entregue à moça pelo carteiro.

Agente da Passiva

Agente da Passiva


7  Os turistas europeus contemplam as praias brasileiras sempre.

EXEMPLOS:

Os turistas europeus contemplam as praias brasileiras sempre.

SUJEITO AGENTE

VERBO TRANS. DIRETO

OBJETO DIRETO

CIRCUNSTÂNCIA

DE TEMPO

VOZ ATIVA

As praias brasileiras são contempladas pelos turistas europeus sempre.

SUJEITO PACIENTE

LOCUÇÃO VERBAL

AGENTE DA PASSIVA

CIRCUNSTÂNCIA

DE TEMPO

VOZ PASSIVA ANALÍTICA

VOZ PASSIVA


8  TRANSPOSIÇÃO DE VOZES VERBAIS

ATENÇÃO: O verbo deve ser transitivo direto ou transitivo direto e indireto:

A Lua ainda seduzia os namorados. (Quem seduz, seduz algo ou alguém.)

Objeto direto

Os namorados eram seduzidos pela lua.

Sujeito Paciente

A sociedade devolve a confiança ao povo. (Quem devolve, devolve alguma coisa a alguém.) Objeto direto

A confiança ao povo é devolvida pela sociedade.


9  VOZ PASSIVA SINTÉTICA V. P. S. = Sujeito sofre a ação verbal.

V. P. S. = Verbo na 3ª pessoa do sing./ plural. + SE – pronome apassivador.

V. P. S. = só podem ser apassivados verbos:

transitivos diretos ou transitivos diretos e indiretos.

* Não ocorre Agente da Passiva na V. P. S.


10  PARTÍCULA APASSIVADORA

As praias brasileiras são contempladas pelos turistas europeus sempre.

SUJEITO PACIENTE

LOCUÇÃO VERBAL

AGENTE DA PASSIVA

CIRCUNSTÂNCIA

DE TEMPO

VOZ PASSIVA ANALÍTICA

Contemplam as praias brasileiras sempre.

-SE

VERBO TRANS. DIRETO

CIRCUNSTÂNCIA

DE TEMPO

SUJEITO PACIENTE

VOZ PASSIVA SINTÉTICA

PARTÍCULA APASSIVADORA


11  Voz Ativa – sujeito indeterminado

Estrutura:

Verbo (3ªpessoa do singular) + SE (Índice de indeterminação do sujeito)

Confiava-se em sonhos.

Desistiu-se da proposta.

EM QUÊ?

EM QUEM?

SUJ. INDET./

V.T.I.

O.I.

DE QUÊ?

DE QUEM?

SUJ. INDET./

V.T.I.

O.I.


12  Voz Ativa – sujeito indeterminado

Estrutura:

Verbo (3ªpessoa do singular) + SE (Índice de indeterminação do sujeito)

Vive-se alegremente.

Trabalha-se muito por aqui.

SUJ. INDET./

V.I.

Circunstância

de modo.

SUJ. INDET./

Intensidade

Circunstância de lugar

V.I.


13  OU Voz reflexiva: ação reflexiva ou ação recíproca:

O turista SE machucou na praia brasileira.

VOZ REFLEXIVA

PRONOME REFLEXIVO – AÇÃO REFLEXIVA

Os turistas SE machucaram na praia brasileira.

VOZ REFLEXIVA

PRONOME REFLEXIVO – AÇÃO REFLEXIVA OU RECÍPROCA

CORRIGINDO A AMBIGUIDADE

Os turistas se machucaram A SI MESMOS na praia brasileira.

OU

AÇÃO REFLEXIVA

Os turistas se machucaram UNS AOS OUTROS na praia brasileira.

AÇÃO RECÍPROCA


14  3ª- Índice de indeterminação do sujeito x Pronome apassivador:

V.T.D + SE (Partícula apassivadora) + Sujeito Paciente

Aluga- SE um imóvel comercial.

VERBO VARIÁVEL

SING/PLURAL

VTD

SUJEITO

PACIENTE

VOZ PASSIVA SINTÉTICA

NO PLURAL

Alugam- SE imóveis comerciais.

V. NÃO T.D + SE (Índice de Indeterminação)

VERBO INVARIÁVEL

3ª PES. SINGULAR

SUJ. INDET./

Precisa- SE de um imóvel comercial.

VOZ ATIVA

OBJETO INDIRETO

VTI

NO PLURAL

Precisa- SE de imóveis comerciais.

Advérbio - para concursos, vestibulares, provas e Enem

 ADVÉRBIOS Adriana Aragão Cleidson Santana Juliana Sales Leisiane Jesus

Prof.:Vera Lúcia Ramos

Adriana Aragão

Cleidson Santana

Juliana Sales

Leisiane Jesus

Marcelo Geisler


2  Origem dos Advérbios

O advérbio é constituído por palavra de natureza nominal ou pronominal e se refere geralmente ao verbo ou ainda dentro de um grupo nominal unitário, a um adjetivo e a um advérbio como intensificador ou a uma declaração inteira. Enfim são palavras modificadoras dos verbos.


3  Definições

Palavra invariável que modifica essencialmente o verbo, exprimindo uma circunstância.

Morfologicamente: é invariável, mas alguns sofrem variação de grau (comparativo e superlativo), semelhantes às dos adjetivos;

Semanticamente: expressa uma circunstância (lugar, tempo, modo, dúvida, afirmação, negação, intensidade);

Sintaticamente: modifica um verbo, um adjetivo, um outro advérbio ou uma oração inteira.


4  Observações ADVÉRBIO MODIFICANDO OUTRO ADVÉRBIO

Ocorre quando o advérbio modifica um adjetivo ou outro advérbio, geralmente intensificando o significado. Ex.: Grande parte da população adulta lê muito mal

ADVÉRBIO MODIFICANDO UMA ORAÇÃO INTEIRA

Ocorre quando o advérbio está modificando o grupo formado por todos os outros elementos da oração, indicando a opinião de quem fala. Ex.:Lamentavelmente o Brasil ainda tem 19 milhões de analfabetos.


5  Exemplos A apresentação musical estava muito emocionante.

modifica

o adjetivo

adjetivo

O concerto começou cedo.

verbo

modifica o verbo

O concerto começou muito cedo.

modifica

o advérbio

modifica o verbo

verbo


6  Tipos de Advérbios AFIRMAÇÃO MODO EXCLUSÃO INTENSIDADE INCLUSÃO TEMPO

LUGAR

NEGAÇÃO

DÚVIDA

AFIRMAÇÃO

EXCLUSÃO

INCLUSÃO

ORDEM

INTERROGAÇÃO


7  Advérbios de Modo

Bem, mal, assim, melhor, pior, depressa, devagar, ás pressas, às claras, às cegas, à toa, à vontade, às escondidas, aos poucos, desse jeito, desse modo, dessa maneira, em geral, frente a frente, lado a lado, a pé, de cor, em vão, de mansinho, em silêncio, ao vivo, sem medo e a maior parte dos que terminam em -mente: calmamente, tristemente, propositadamente, pacientemente, amorosamente, docemente, escandalosamente, bondosamente, generosamente.


8  Advérbio de intensidade

Muito, demais, pouco, tão, menos, em excesso, bastante, pouco, mais, menos, demasiado, quanto, quão, tanto, assaz, que(equivale a quão), tudo, nada, todo, quase, meio, de todo, de muito, por completo, à beça, em excesso, bem (quando aplicado a propriedades graduáveis).


9  Advérbio de Tempo

Hoje, logo, primeiro, ontem, tarde outrora, amanhã, cedo, dantes, depois, ainda, antigamente, antes, doravante, nunca, então, ora, jamais, agora, sempre, já, enfim, afinal, amiúde, breve, constantemente, entrementes, imediatamente, primeiramente, provisoriamente, sucessivamente, às vezes, à tarde, à noite, de manhã, de repente, de vez em quando, de quando em quando, a qualquer momento, de tempos em tempos, em breve, hoje em dia.


10  Advérbio de Lugar

Aqui, antes, dentro, ali, adiante, fora, acolá, atrás, além, lá, detrás, aquém, cá, acima, onde, perto, aí, abaixo, aonde, longe, debaixo, algures, defronte, nenhures, adentro, afora, alhures, nenhures, aquém, embaixo, externamente, a distancia, à distancia de, de longe, de perto, em cima, à direita, à esquerda, ao lado, em volta.


11  Advérbio de Negação 

Não, nem, nunca, jamais, de modo algum, de forma alguma, tampouco, de jeito nenhum, em hipótese alguma, no dia de São Nunca.


12  Advérbio de Dúvida

Acaso, porventura, possivelmente, provavelmente, quiçá, talvez, eventualmente, por certo, quem sabe.


13  Advérbio de Afirmação

Sim, certamente, realmente, decerto, efetivamente, certo, decididamente, realmente, deveras, indubitavelmente, incontestavelmente, com certeza, sem dúvida, de fato, na verdade, com efeito.


14  Advérbio de Interrogação

onde? (lugar), como? (modo), quando? (tempo), por que? (causa), quanto? (preço e intensidade), para que? (finalidade).


15  Advérbio de Ordem

antes, depois, primeiramente, ultimamente.


16  Locução Adverbial

Quando há duas ou mais palavras que exercem função de advérbio, temos a locução adverbial, que pode expressar as mesmas noções dos advérbios. Iniciam ordinariamente por uma preposição.


17  Exemplo de Locução Certamente ele será eleito.

Com certeza ele será eleito.

Ele falou claramente.

Ele falou com clareza.

advérbio

locução adverbial

advérbio

locução adverbial

Quando as circunstâncias são expressas por

mais de uma palavra denominamos locução adverbial.


18  Palavras denotativas

Há, na língua portuguesa, uma série de palavras que se assemelham a advérbios. A Nomenclatura Gramatical Brasileira não faz nenhuma classificação especial para essas palavras, por isso elas são chamadas simplesmente de palavras denotativas.


19  Denotativas

ADIÇÃO - ainda, além disso: Comeu tudo e ainda queria mais

AFASTAMENTO - embora: Foi embora daqui

AFETIVIDADE - ainda bem, felizmente, infelizmente: Ainda bem que passei de ano

APROXIMAÇÃO - quase, lá por, uns, bem, cerca de, por volta de: Ela quase revelou o segredo

DESIGNAÇÃO - eis: Eis nosso novo carro

EXCLUSÃO - apenas, só, salvo, menos, exceto, sequer, tirante, fora, senão, exclusive: Todos irão, menos ele

EXPLICAÇÃO - isto é, por exemplo, a saber, ou seja: Viajaremos em julho, isto é, nas férias

INCLUSÃO - até, também, mesmo, inclusive: Até ele irá viajar

LIMITAÇÃO - só, apenas, somente, unicamente: Apenas um me respondeu

REALCE (expletiva) - cá, lá, é que, mas, só, ainda: E você lá sabe essa questão?

RETIFICAÇÃO - aliás, isto é, ou melhor, ou antes: Somos três, ou melhor, quatro

SITUAÇÃO - então, mas, agora, afinal: Então, quem perguntaria a ele?


21  Grau do Advérbio

Os advérbios, embora pertençam à categoria das palavras invariáveis, podem apresentar variações com relação ao grau. Além do grau normal, o advérbio pode-se apresentar no grau comparativo e no superlativo, com variações semelhantes às dos adjetivos.


22  Comparativo De superioridade (mais + advérbio + (do) que): Ele escreve mais depressa que eu.

De inferioridade (menos + advérbio + (do) que):

Ele escreve menos depressa que eu.

De igualdade (tão + advérbio + quanto / como):

Ele escreve tão depressa quanto eu.


23  Superlativo Sintético: Ele chegou cedíssimo.

Ela crê muitíssimo em suas convicções.

As transformações ocorrem lentissimamente.

Analítico:

Ele chegou muito cedo.

Ele procedeu bastante calmamente.

Investigaram desleixadamente demais o caso.


24  Pra você que não prestou atenção!!

Revisão

Pra você que não prestou atenção!!


25  Revisão >> DEFINIÇÃO >>ADVÉRBIO MODIFICANDO OUTRO ADVÉRBIO

Palavra que modifica essencialmente o verbo

EX.: O concerto começou cedo.

>>ADVÉRBIO MODIFICANDO OUTRO ADVÉRBIO

EX.: O concerto começou mais cedo.

>>LOCUÇÃO ADVERBIAL

Quando há duas ou mais palavras que exercem função de advérbio.

EX.: Com certeza ele será eleito.

>>GRAU DO ADVERBIO

EX.: Ele escreve mais depressa que eu.

EX.: Ele chegou cedíssimo.


26  Tipos de Advérbios e Palavras Denotativas

ADIÇÃO

AFASTAMENTO

AFETIVIDADE

APROXIMAÇÃO

DESIGNAÇÃO

EXCLUSÃO

EXPLICAÇÃO

INCLUSÃO

LIMITAÇÃO

REALCE

RETIFICAÇÃO

SITUAÇÃO

MODO

INTENSIDADE

TEMPO

LUGAR

NEGAÇÃO

DÚVIDA

AFIRMAÇÃO

ORDEM

INTERROGATIVO


27  Cuidado!! NÃO CONFUDA ADJETIVO COM ADVÉRBIO Gisele desfilou linda.

O ADJETIVO qualifica o substantivo apenas, expressando qualidade ou característica.

Gisele desfilou linda.

Gisele desfilou muito.

Gisele desfilou muito linda.

adjetivo

advérbio

advérbio

adjetivo


28  Relembrando... .... exprimindo uma circunstância de:

tempo (quando?): A Rainha chegará amanhã.

lugar (onde? ): A Rainha chegará aqui.

modo (como?): A Rainha chegará rapidamente.

negação: A Rainha não chegará.

afirmação: A Rainha realmente chegou.

dúvida: Talvez a Rainha chegue.

intensidade: Ela é muito severa.

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